segunda-feira, 15 de abril de 2013

the poop post

Ora vamos lá a ver se a gente se entende, ó pessoas portadoras de criaturas de raça canina.
A regra é simples: se o bicho caga, o dono apanha.
Apanharam?
O que não pode ser é as pessoas portadoras de sapatinhos lindinhos que sairam nesse dia à rua pela primeira vez e tudo, chegarem a casa com os ditos ex-lindinhos fedorentos.
Sim, porque a gente limpa, cheia de nojo, o gómito a assomar a garganta (dodots, ninguém tem dodots? e álcool?? fósforos???), mas o bicho estava podre por dentro (deuses do olimpo, que cheiro nauseabundo!).
O que também não pode ser é esta que vos escreve decidir caminhar pelo passeio (loucura, hoje não me apeteceu andar pelas bordas da estrada), de sabrinazinhas de verniz brilhante e mais parecer que vai rua afora a dançar o lago dos cisnes, pula aqui e pula ali, olha outra bosta doutra cor acolá.
Comprem-lhes fraldinhas, ensinem-nos a fazer no caixote (sim, não é suposto serem mais espertos que os gatos? pois se os gatos conseguem...) ou, esperem, já sei: agachem-se e apanhem!
Sabem o que é que vocês mereciam, sabem?
Era terem um gato!
Aí é que íam ver o que é bom para os bicos de papagaio!
Tudo começa com a ida ao Lidl para comprar meia dúzia de sacos de areia, porque lá é mais barato e porque a minha Nônô também já não é nova e para ela a sílica é uma modernice, que faça lá eu as necessidades se me apetecer.
Ora bem, moeda para o carrinho, cadê?
Sim, porque no Lidl os carrinhos só desbloqueiam com moedas de 1€ e as chapinhas de plástico que funcionam em todos os outros carrinhos de supermercado, chapéu.
Pormenor importante: convém levar roupa velha vestida e calçado impenetrável, tipo bota de trabalhador da construção civil.
Isto, porque os senhores do Lidl colocam uma palete gigante de sacos de areia para gato algures no seu establecimento e é o diabo para chegar ao topo da palete ou para conseguir tirar um saco do meio.
Ou seja, há fortes probabilidades de os sacos estarem rotos e de haver areia por todos os lados, inclusivé em cima de nós quando puxamos um lá do alto.
Portanto, é tentar puxar sacos sem nos encostarmos muito para não ficarmos cheios de pó, pisar milhares de grãos de areia que é mais tipo pedra e abanar vigorosamente o saco antes de o meter no carrinho, não vá a coisa ter fugas.
Depois de carregado o carrinho, descarrega para o carro e depois de carregado o carro, descarrega para a entrada do prédio.
E depois?
Depois alomba escada acima que o prédio não tem elevador.
Cansados?
Pfff! Fracotes!
É chegada a hora da lavagem da nave espacial do penico da gata.
Desmontada a tampa, vai-se buscar um saco do lixo, que tem de ser grande qb para que o tabuleiro encaixe na abertura, e toca de despejar.
Leva-se para lavar na banheira porque, rásparta, onde estava eu com a cabeça quando habituei a gata a ter uma suite em vez dum urinol básico?
Ora tudo lavadinho e cheiroso, já está Miss Leonor em bolandas, sempre a meter-se debaixo dos meus pés, mio mio dá-me a minha casa de banho e eu a gritar sai daqui bicha maluca que ainda caímos as duas.
Forra-se o tabuleiro com jornais, como se fosse uma gaiola, também pode ser com sacos de plástico adequados ao efeito, mas é mais caro menos ecológico e ela rompe-os.
Pronto, agora é só ir à despensa buscar um saco de areia (volta a alombar), despejar lá para dentro, fechar as molas, verificar o filtro e... e claro que ainda estou a tentar por a tampa e já o monstro amarelo anda lá dentro, cava cava cava e caga!
Ora toma e vai buscar a pá ou um saco de plástico velho para tirar o presente e olha, está quentinho e tudo (blarghhhhh!).
Ufa! Momento de pausa, inspira (pensando bem é melhor não, ainda cheira a merda fresca), expira, expira, expira!
Volta a alombar com um saco de lixo com 5 quilos de areia e quilo e meio de dejetos, desce as escadas, atravessa meia praceta, escolhe criteriosamente o caixote de lixo com ar mais limpo, carrega no pedal  d-e-v-a-g-a-r  que quando chove aquilo salpica (nooojo!), estica-te, dá balanço e... porra pá, a fita do cinto da parka prendeu-se ao atilho do saco e lá estou toda esticadinha, em bicos de pés, em pânico, a tentar libertar-me sem me encostar ao contentor (porcariaaaa!).
E isto meus amigos, é ter um gato!
Mas acham que acabou? Nahhh!
Todos os dias temos de tirar a tampa da nave espacial e brincar à caça ao tesouro.
É um jogo muito lúdico e divertido, que consiste em pegar numa pá e cavar tesouros fora de prazo (mas que raio põem eles na ração, que smell...).
Experimentem ser preguiçosos com um gato, experimentem! Ah Ah Ah! Pobres almas!
O gato ficará possuído, derrubará tudo à sua passagem, bufará como se estivesse a ser exorcizado e por fim amuará para que sintamos como somos os piores donos do mundo.
Não sem antes fazer um xixi num tapete ou no cesto da roupa.
Despois do acima exposto, vá lá, sejam sinceros: é assim tão mau apanhar o cócó do cão?



7 comentários :

  1. deste lado continua-se a pensar: sidonie vem ou nao vem? sera feliz ou infeliz? se um gato domestico é assim temperamental, imagino um gato selvagem armado em doméstico e sem ser por vontade dele :(

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    1. A minha Nônô é uma mimada :) mas eu penso muitas vezes no que faria no teu lugar...
      quando ela era pequenina ía comigo para todo o lado, nas férias ía para a casa de praia ou ficava com a minha mãe na casa dela. Mas a medida que foi crescendo só entrar no carro era uma angústia e quando chegava aos lugares estranhava imenso, tornava-se agressiva, não comia...
      Agora quando vou de férias deixo-a sozinha cá em casa e peço a uma pessoa ou outra para passarem por cá.
      A verdade é que acho que ela é mais feliz com esta opção e as baby sitters dizem sempre que ela está bem quando vêem cá a casa, que aparece e deixa fazer uma festa mas sem grandes confianças.
      Pelo menos os vizinhos dizem que nunca a ouvem miar, que só dão por ela por estar à janela.

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  2. Adorei o teu post. Também me passo com os donos dos cães deviam era pagar multa de cada vez que deixassem o cocó na rua. Como não lhes acontece nada os outros que se lixem. Acho uma grande falta de civismo e ainda não vi uma única pessoa a apanhar os cocós do seu cão. Um única. :(

    bjs

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    1. Eu moro numa praceta e os passeios aqui estão um nojo!
      O curioso é que logo a seguir à minha casa há um jardim com dispensadores de sacos e tudo e aí vê-se as pessoas apanharem os cócós.
      É a rua com mais movimento de comércio local, a do jardim, será por causa de estarem à vista de todos que as pessoas são cívicas?...

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  3. É bonito ter os bichinhos mas depois esquecem-que existe uma série de tarefas a serem cumpridas, que afagar o pelo apenas NÃO CHEGA!

    Dá-lhes Scarlet!!!

    Beijo bom xxxx

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Obrigada pelo comentário ☺