segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

a pipoca vai fazer pop e outras considerações sobre a maternidade

A propósito da gravidez d'A Pipoca Mais Doce, lembrei-me de quando, ao princípio de casada, as pessoas nos massacravam com a história do "e então bébés?" e o Gosma respondia, com muita piada, "como a casa tem duas despensas, vamos ter dois" e a cara de perplexidade das tias era impagável.
A verdade é quando casei a maternidade não estava contemplada nos planos a médio prazo.
Era uma coisa longínqua que eventualmente havia de me acontecer um dia.
Eu nunca senti o apelo da maternidade, apesar de me dizerem (e de eu saber) que tenho jeito para as crianças.
Por ter jeito quer dizer ter paciência, mudar-lhes a fralda, contar histórias, dar-lhes de comer, inventar brincadeiras, dar-lhes banho, adormecê-las, dar-lhes colo quando acordam com pesadelos e ficar toda vomitada, apaziguar-lhes os medos, fazer vozes parvas, brincar no chão, rebolar a rir, ralhar, verificar se respiram enquanto dormem, ficar com elas uma noite ou um fim de semana para os pais terem uma folga.
E eu adoro crianças, mas nem todos os dias me apetece aturá-las, apesar de as "aturar" à mesma e com todo o carinho quando tem de ser.
Mas nesses dias é com esforço e dedicação que o faço e não só por prazer.
Primeiro nunca quis ter filhos porque já me apetecia rebentar com o mundo por acordar todos os dias às 7h da manhã, quanto mais se tivesse de acordar às 6h para cuidar dum ser pequenino.
Depois nunca quis ter filhos porque tinha uma relação perfeita e egoísta, criada à medida de dois, e valorizava isso acima de tudo.
Resumindo, nunca quis ter filhos e não mudei de ideias.
Mas isso não me exclui de nada enquanto ser humano ou mulher, não me diminui nem reduz capacidades cognitivas.
Por isso não me venham para cá com a converseta do ...mi mi só quem é mãe é que pode falar mi mi mi... que me apetece logo partir para a estupidez.
É o mesmo que me virem dizer que não posso falar dos homens até me nascer uma pilinha ou que não posso ser contra as touradas (que não sou) se nunca tiver sido toureiro.
(isto hoje vai ser dia de downsize de seguidores com esta da tourada)
Enfim, primeiro fiquei desconfiada de que não passava de mais um post publicitário (uma pessoa agora nunca sabe), mas a verdade é que me sinto um bocadinho traída por a Pipoca ter engravidado, já que é dela o melhor texto que li até hoje que explica tudo o que sinto sobre o tema maternidade e os filhos dos outros.
Dito isto, espero que o Pipoco Desarrumado (já o batizei) venha ao mundo com muita saúde e que A Pipoca Mais Doce continue doce, mas com preciosos laivos de acidez.



6 comentários :

  1. Compreendo-te perfeitamente. Eu gosto de crianças na casa dos outros! Gosto delas mas não me vejo no papel de mãe. Nunca se sabe o dia de amanhã, mas seguramente que por agora não e fico farta só de ouvir essa adoravel pergunta: "filhos, para quando?".

    Bjokas.

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  2. Olá Scarlet.
    O facto de alguém gostar de crianças e de brincar com elas não implica obrigatoriamente que ela quer ser mãe. Tenho amigas que adoram crianças e tem muito jeito para elas e por decisão optaram por não ter filhos. Por isso acho que não ter filhos por opção é tão válido como ter porque se deseja. Cada um sabe de si e ninguém é melhor ou pior por ter ou não ter filhos. São apenas opções conscientes. Eu tenho mas grande parte das minhas amigas não. E convivemos muito bem juntas.
    Beijinhos grandes.

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  3. Sou mãe e consigo compreender perfeitamente as vossas opções e opiniões.
    Eu estou assim um pouquinho curiosa :)
    De ver como ela, vai lidar com isto tudo.
    Não que seja algo de outro mundo, e sei Eu, muito bem, que qualquer mulher pode lavar a gravidez a 100 % se nao complicar muito.
    Mas que estou curiosa la isso estou :))

    xi♥

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  4. Ah! Ah! Ah!
    A verdade é que ela está de esperanças e nós todas estamos expectantes!

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  5. Percebo-te! Também nunca quis ter filhos (a vida é que me trocou as voltas), mas continuo a achar que uma mulher pode perfeitamente ser feliz e realizada sem filhos!

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  6. Não sou a melhor pessoas para falar sobre filhos. Não os tenho, também sofro da mesma falta de paciência que tu, embora tenha um lado maternal bem vincado. Ah e adoro relações a dois, daquelas que são mesmo boas. Mas acima de tudo aquilo que gostei mais de ler aqui e tão abertamente dito é que não tens nada cotra as touradas. Nota 10 para ti :-)

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Obrigada pelo comentário ☺