quinta-feira, 30 de junho de 2011

La voyeuse

(via)

Gosto de ficar sentada à sombra do chapéu de sol, a observar os vizinhos de areal.
Fico a saber de algumas histórias de vida, a imaginar outras.
Gosto de corpos, mais dos imperfeitos.
Opinião contrária à dele, que divide os corpos femininos em grossas, boas, gandas mocas/mamas e afins.
Intrigam-me as mulheres com ar de dona de casa e tatuagens de golfinhos.
E os homens balofos com os nomes dos filhos escritos nos braços.
Que passou pela cabeça desta gente para que em algum momento da sua vida se achassem cool?!
Para mim uma tatuagem faz parte duma filosofia de vida, filosofia essa em que os golfinhos existem apenas no mar e em que os corpos são saudáveis e em que as tatuagens não são distorcidas por celulite.
Mas o que mais me intriga são as cicatrizes.
Tenho duas, em locais visíveis, raramente me lembro de que existem.
Mas a cicatriz remete sempre para o sofrimento, para a dor.
Que história de vida terá aquela pessoa, que agora brinca com a água à beira mar?
Sim, parece que é verdade que temos tendência para a felicidade, que podemos esquecer a dor...

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